Nova coleção Renner: vestir também é sentir, por Francesca

Eu sempre achei que a roupa começa muito antes de checar o visual no espelho. Começa no toque, na maneira como um tecido encontra o corpo, no movimento que ele cria quando a gente anda. Tem peças que mudam até o nosso jeito de ocupar um espaço. 

Talvez por isso, quando penso na chegada de uma nova temporada, penso menos em uma mudança de guarda-roupa e mais em uma mudança de sensação.  Os dias parecem pedir um pouco mais de movimento, mais vida do lado de fora, mais vontade de estar presente. E a moda acompanha isso. 

Na nova coleção Renner, essa sensação aparece muito através das texturas. Tecidos mais leves convivem com estruturas mais marcadas, a alfaiataria encontra peças fluidas e os volumes ganham movimento. 

Eu gosto especialmente destes contrastes porque são eles que, para mim, deixam um look interessante. Uma peça mais precisa ao lado de outra que se movimenta. Uma estrutura mais marcada encontrando algo quase despretensioso. 

É também uma forma de pensar que está muito presente no meu processo criativo. Antes de uma roupa existir por completo, eu penso em como quero que alguém se sinta dentro dela. O tecido vem muito desse lugar. Tem que funcionar visualmente, claro, mas também precisa fazer sentido no corpo, no toque, no caminhar e, principalmente, na vida. 

O styling começa quando a roupa encontra você 

Quando penso em styling, gosto cada vez mais da ideia de combinação e menos da ideia de regra. 

Uma alfaiataria, por exemplo, pode ganhar outra energia junto a uma peça leve. Uma camisa pode aparecer aberta, com as mangas dobradas, ou ganhar novas proporções dependendo de como entra na composição. 

Tecidos com texturas diferentes no mesmo look criam também criam profundidade mesmo quando as cores são próximas. E uma peça de presença pode dar um novo olhar àquilo que você já tem no armário.

São pequenos gestos que fazem uma roupa deixar de ser apenas uma roupa e começar a contar alguma coisa sobre quem está usando. 

Para mim, o melhor styling acontece justamente aí. Quando você olha para uma peça e encontra o seu próprio jeito de usá-la. 

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Roupa boa acompanha a vida 

Tenho pensado muito em roupas que fazem sentido em dias inteiros. Que acompanham diferentes momentos, lugares e versões da gente sem perder a intenção. 

Talvez por isso eu goste tanto de misturar códigos e explorar o estilo hi-lo. Levar uma peça de alfaiataria para um contexto mais casual, combinar volumes inesperados, deixar uma camisa mais solta no corpo, trazer uma textura que normalmente apareceria à noite para o meio do dia. 

A nova coleção Renner me parece um convite justamente a experimentar mais essa liberdade. 

Vestir uma tendência, para mim, fica muito mais interessante quando passa pelo filtro de quem veste. A gente pode olhar para o que está acontecendo na moda, se inspirar, descobrir novas proporções, cores e texturas, mas é quando tudo isso encontra a nossa personalidade que p look realmente ganha vida. 

No fim, talvez Ouse Ser Você fale exatamente sobre isso. 

Sobre vestir uma nova temporada sem precisar vestir uma nova pessoa. Sentir primeiro. Experimentar. Misturar. Se movimentar. E deixar que a roupa acompanhe tudo aquilo que já está vivo em você.

Quer seguir experimentando novas formas de dar personalidade ao que você veste? Então dê uma olhada no conteúdo que preparei sobre rendas e assimetrias, detalhes que trazem textura e movimento e podem transformar a leitura de um look.