
Outro dia estava arrumando o armário e fiquei impressionada com a quantidade de peças jeans que eu tenho. E o mais incrível: cada uma marcou uma fase da minha vida e, até hoje, todas continuam extremamente atuais.
Teve a calça da época em que eu ainda estava tentando entender o meu próprio estilo, a da minha fase mais minimal, da fase oversized, e assim por diante. O jeans esteve presente em todas elas, me acompanhando em cada capítulo, foi aí que vi o quanto essa peça é atemporal.
Curiosa que sou, comecei a pensar sobre a história desse fiel escudeiro porque eu sou assim, não consigo gostar de algo sem querer entender de onde vem.
O jeans foi criado em 1873 para mineiros e petroleiros, pessoas que precisavam de uma roupa que aguentasse o tranco do dia inteiro nos campos de mineração. Com costura reforçada em tudo, rebites de cobre nos bolsos para não rasgar, era roupa de trabalho pesado, do tipo que você não lava todo dia e não dobra com cuidado. Resistência acima de tudo.
Hoje, com a nova coleção da Renner, que explora modelagens maxi relaxed, traz lavagens diversas e interessantes, como o raw denim, tenho a oportunidade de revisitar essa relação com o jeans, além de contar um pouco a importância dele nas produções.
Vamos entender melhor o que faz do jeans uma peça tão atemporal?
Atemporal: por que o jeans nunca foi embora?
Eu tenho uma teoria sobre isso. A maioria das tendências existe porque preenche um desejo do momento: tem uma temporada de brilho, por exemplo, porque a gente quer celebrar; tem uma temporada de neutros porque a gente quer descansar.
Mas o jeans não funciona assim. Ele não responde ao humor da moda. Ele simplesmente existe, em paralelo, do seu próprio jeito.
Pensa comigo: você conhece alguma mulher que não tem jeans? Eu não conheço. Até mesmo a minimalista, que veste apenas três peças no total, tem o seu. A maximalista, que mistura mil cores e estampas, também. O mesmo vale para a que só usa preto, a que está começando a montar o guarda-roupa agora e a que já tem o armário resolvido faz anos.
O jeans é o denominador comum de estilos, que não têm mais nada em comum, e isso, na moda, é uma raridade absurda. Quando uma grande marca olha pro jeans e decide reinterpretá-lo, ela está dizendo uma coisa muito clara: esse material tem prestígio.

O jeans é, ao mesmo tempo, o tecido mais democrático e o mais desejado da moda. Ele nasceu nos campos de petróleo do Texas e chegou às passarelas de Paris sem perder nenhuma das duas identidades no caminho.
Isso é atemporalidade. E a atemporalidade, como quem ama moda sabe, é o maior luxo que existe.
E, na nova coleção jeans da Renner, eu enxerguei muita versatilidade e força estética. Jaquetas com recortes acinturados, modelos de calça jeans como o barrel, peças oversized, sem falar nos itens color e nada básicos. É através desse olhar que o jeans vai se reinventando sem nunca perder o protagonismo.





















